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Segunda-feira, no Folhateen (10/8)

 



Aula em família

Ser aluno da própria mãe pode ser uma boa, ou uma fria.  Conheça as histórias de quem já passou por isso

 

Nem tudo tem resposta

Conheça quatro coisas que a ciência ainda não explica

 

Prova de elenco

O Folhateen acompanhou os bastidores da seleção do elenco jovem de um espetáculo musical

 

Caminho estável

Em tempos de crise, jovens veem garantia de segurança em concursos públicos

 

Quadro a Quadro

Apresenta “Melodia Infernal”, próximo lançamento da Conrad em HQ

 

Gooooooooool!!!!!!

Veja num infográfico a operação de guerra que as emissoras montam para transmitir um jogo de futebol ao vivo

 

Você é o poeta

Essa semana, no espaço do leitor, o jovem poeta Alex Alonso, 14, mostra dois poemas

 

Rolando Lemos

Comenta a briga entre a Apple e o Google pelo futuro da internet e da telefonia

 

Álvaro Pereira Junior

Apresenta a artista que ele gosta, e que mais ninguém curte, ou tem vergonha de assumir

 

Jairo Bouer

Explica como evitar a gripe suína

Escrito por Tarso Araujo às 23h17

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Vampiro na cabeça

A onda vampiresca que assola o coração das mulheres acaba de ganhar mais um troféu. A revista britânica "Glamour" perguntou para duas mil leitoras qual o homem mais sexy do mundo e adivinha quem ganhou?

Bem, você já viu a foto, certo? O eleito foi Robert Pattinson, que interpreta Edward Cullen em "Crepúsculo". O ator de 23 anos desbancou "velhos" galãs, como Johnny Depp, Brad Pitt e George Clooney.

Se você acha essa foto de cima muito pouco, confira a galeria que a revista preparou com a lista dos 50 mais votados.

E para você, leitora do Folhateen, qual o homem mais sexy do mundo?

Escrito por Tarso Araujo às 16h07

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Saído da Lama - íntegra da entrevista

Leia a íntegra da entrevista com Nic Sheff, publicada no Folhateen desta semana (3/8). O americano de 26 anos é autor de "Cristal na Veia" (Agir, 359 págs., R$ 40), bestseller sobre sua relação com as drogas.

FOLHA - Você foi ao fundo do poço e voltou para contar. Valeu a pena?

Nic Sheff. Crédito: DivulgaçãoNIC SHEFF - Bem, o fundo do poço sempre pode ser pior, sabe? Para mim, o pior não foi morar na rua, ir parar no hospital, me prostituir, ser espancado ou quase perder meu braço. Foi destruir toda relação que tinha com todos que me amavam.

Aterrorizei meus pais, roubei meus irmãos pequenos, namoradas e amigos. Isso acaba comigo até hoje. Causei tanta dor e sofri com tanta dor... Valeu a pena?

Talvez esse inferno me faça ver as coisas boas que vivo hoje com intensa paixão. Mas, ao mesmo tempo, estou sempre com medo de recair e de perder tudo de novo. É duro não ser capaz de confiar em mim mesmo. É duro se sentir fora de controle. E é duro ser um viciado. Estou aprendendo a conviver com toda essa merda, mas ainda é duro.

Se eu pudesse ser normal como outras pessoas eu iria querer isso? Acho que sim. Mas então eu não teria a vida que tenho agora, que é um milagre total. E não teria o amor que tenho agora. Então, o que dizer?

 

Por que escreveu o livro?

Porque escrever sempre foi para mim uma maneira de lidar com o mundo, de entender o que acontecia comigo, de expressar minha confusão de sentimentos. Mas também diria que escrevo como um jeito de me proteger. Se faço de mim um personagem em uma história, toda a dor e o medo deixam de parecer tão reais e ameaçadores. Faço isso desde criancinha.

Caramba, até quando eu era um sem teto – dormindo no parque – sempre carreguei pilhas de blocos comigo. Toda chance que tinha eu me escondia em algum lugar e escrevia, tentando registrar minha história, tentando fazer algum sentido de uma situação totalmente sem sentido. Então, sim, escrever “Cristal na Veia” foi uma extensão disso. Foi um processo purgatório. Eu honestamente não estava pensando como ele poderia afetar outras pessoas.

 

E você se surpreendeu com a repercussão que o livro teve?

Totalmente. Imaginava que minha história era interessante e tudo mais, mas nunca imaginei que, lendo-a, outras pessoas se sentiriam como se estivessem recebendo permissão para se abrir e examinar suas próprias vidas. Isso certamente aconteceu comigo quando era mais jovem – porque eu lia toneladas e toneladas e quando eu me conectava com as histórias de um autor isso me fazia me sentir menor louco e menos sozinho, menos alienígena.

Mas nunca pensei que poderia escrever algo que chegasse perto disso. Então quando as pessoas começaram a me agradecer pelo meu livro, porque ele as estava ajudando em suas próprias dificuldades, isso foi incrível. Foi muito melhor do que eu podia imaginar.

 

Você viveu boa parte de sua infância e fase viciada em São Francisco, a mesma cidade tantas vezes descrita por Jack Kerouac e outros beatniks. Eles o influenciaram? Que escritores o influenciaram na hora de escrever “Cristal na Veia”?

 

Hummm, passei por uma fase de ler Kerouac no high school, mas é estranho como minha compreensão dos livros mudou conforme fiquei mais velho. Os escritores que mudaram minha vida no high school foram gente como Henry Miller, Yukio Mishima, Herman Hesse, George Bataille, Pauline Reage, Dennis Cooper...

E ainda gosto dessas coisas, mas recentemente comecei a entrar em coisas, digamos, menos educadas, como Iceberg Slim, Donald Goines, Jean Genet, e, é claro, eu sempre realmente amei Charles Bukowski. Basicamente, acho que sou inspirado por escritores que são emocionalmente abertos e se permitem ser vulneráveis. Eu prefiro muito mais ler algo sincero que inteligente.

Mas, voltando a São Francisco – essa cidade é tão bonita e triste para mim. Sinto como se ela estivesse viva, de uma forma - muito humana - ficando velha. Caramba, minhas primeiras memórias são dessa cidade. Mas isso está mudando. Não gostaria mais de viver lá. Talvez porque a cidade começou a se levar muito a sério. Hahahaha

 

Nic Sheff. Crédito: DivulgaçãoTem planos para um próximo livro?

Sim, estou escrevendo-o agora. Depois de “Cristal na Veia” continuei ralando, não só para continuar sóbrio, mas para ter uma vida boa, com algum significado. Rolaram várias recaídas e me liguei numa série de coisas e pessoas tentando me ajeitar. Nada nunca funcionou. Então estou aprendendo a viver como mim mesmo e, também, por mais estranho que isso pareça, a amar a mim mesmo e a tudo mais.

  

Acha que sua experiência pode ser compartilhada por pessoas viciadas em outras drogas?

Todos os vícios são iguais. Fui viciado em álcool – tomando shots de vodka e uísque simplesmente para acordar de manhã. E também tomei tanta cocaína que entrei em colapso com convulsões. E é tudo a mesma coisa: fugir de sentimentos de dor, de vergonha e de ansiedade. Era meu modo de sobreviver. Não se tratava de ficar doidão. Era para me sentir normal.

 

Você tomou metanfetamina pela primeira vez com 18 anos? Quantas vezes recaiu e se recuperou do vício? Isso não fica claro no livro.

Não fica claro no livro porque não é totalmente claro na minha cabeça. Desde que experimentei cristal entrei e saí de diferentes tipos de centros de tratamento umas oito vezes. Não tenho certeza de quantas vezes eu recaí, mas foram muitas. Parece que é muito mais duro para mim ficar sóbrio que para a maioria das pessoas.

 

Há quanto tempo você está limpo agora?

Estou limpo desde dezembro de 2008... Mas não tomo nenhuma droga pesada há três anos.

 

No livro, Spencer tenta lhe mostrar como ele tinha uma vida legal depois de se recuperar do vício. Você acha que tem uma vida legal hoje?

Tenho uma vida foda de incrível agora. Estou escrevendo, subindo montanhas com meus cães, morando com uma mulher por quem estou apaixonado. Tenho um grande relacionamento com minha família, especialmente com meus irmãos mais novos, que são tão importantes para mim. O que é duro é que estou constantemente com medo de perder tudo isso. Sou aterrorizado de que isso vai me escapar, e serei rejeitado e sozinho. São meus medos, mais do que tudo mais que me arrancam lágrimas. Eu sou o cara de quem eu tenho que ter mais medo.

 

 

O que você diria para jovens que estão em seus primeiros drinques, tragos e pílulas?

 

Quando comecei a usar drogas senti algo como “uau, isso é o que estava faltando a minha vida toda”. Elas me completaram. Então, em vez de aprender a funcionar por conta própria e trabalhar meus problemas, usei as drogas comoum atalho. Mas, uma hora, ou as drogas me matavam ou eu ficava sóbrio.

Só que, sóbrio, com 26 anos, sem saber lidar com a vida sem drogas, sou muito patético. Sou como um garoto de 12 anos num corpo de 26. Deprimente.

Gostaria de ter buscado ajuda para ser completo sem drogas quando ainda era novo e achava que só me sentia normal com elas. Como teria sido bom ter entendido isso na adolescência. Não ser essa zona quando deveria ser um adulto.

 

 

Escrito por Tarso Araujo às 21h16

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"Periodically Double or Triple"

Musiquinha gostosa e clipe divertido - além de meio nojento, às vezes. É uma nova da Yo La Tengo, que vem no próximo disco da banda, "Popular Songs".

Para quem gostar de "Periodically Double or Triple", ali embaixo tem outro clipe do mesmo disco: "Here to Fall".



Escrito por Tarso Araujo às 19h30

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Quadro a Quadro - Polêmica

Não imaginava que um "Quadro a Quadro" sobre "Grimms Mangá" (publicado na edição de ontem) pudesse gerar tantas críticas entre fãs de mangás. Estou quase me sentindo o Adão (tá, em escala beeeeem menor). O textinho que publicamos foi o seguinte:


"Vai chegar um dia em que tudo terá se transformado em mangá, desde heróis dos quadrinhos a times de futebol. Ao que tudo indica, a editora NewPOP vai continuar contribuindo para esse cenário apocalíptico.

Acaba de chegar às bancas o gibi "Grimms Mangá - Novas Histórias" (176 págs., R$14), que conta, por meio de traços japoneses, mais algumas das lendas dos irmãos Grimm - como a da Branca de Neve e a do Gato de Botas. O traço, de Kei Ishiyama, é limpo e bonito, mas um pouco sem personalidade. As histórias são contadas a partir de pontos de vista esdrúxulos - como o do anão que se apaixona pela Branca de Neve (que apenas engasgou com a maçã...)"


Em cima dessa resenha, o pessoal do Shoujo Café ficou bastante revoltado. Nos comentários do post, a garotada foi unânime.

É uma pena que o espaço para os textos do "Quadro a Quadro" seja tão pequeno, porque acho que sem explicar tintim por tintim a coisa tomou um tom que não era o que eu tinha em mente. Não tenho nada contra a editora NewPOP, inclusive na semana anterior havia elogiado o lançamento de "Speed Racer". Imagino que ninguém viu.

Também não sou um autor recalcado e cultuador de HQs, resistente aos mangás. Na semana antes de falar de "Speed Racer" eu tinha recomendado aos leitores que baixassem o animê de "Hi No Tori", do mestre Osamu Tezuka. Confesso que, sim, adoro Homem-Aranha e X-Men. Mas gosto muito de mangá também, e esse é um assunto sobre o qual eu entendo um pouquinho.

Por isso mesmo me parece um cenário apocalíptico que tudo vire mangá. Todo mundo entendeu que a maior crítica era ao gibi do Corinthians. Como eu disse no post abaixo, acho que as pessoas sempre se esquecem de que não basta puxar o olho do personagem para ele virar japones. Existe uma estética específica, né?

Quanto à história ser contada a partir de um ponto de vista esdrúxulo. Bom, aí não tinha nenhuma crítica. É uma informação. Não é a versão com a qual estamos acostumados - o anão era apaixonado pela Branca de Neve, no mangá! Para ser sincero, isso foi uma das coisas que mais me animou no gibi, apesar de eu não ter gostado dele no conjunto final.

Enfim, um último comentário: como assim ninguém concorda comigo que o traço do mangaká de "Grimms Mangá" é sem personalidade? Ainda mais vocês que estão acostumados ao traço de mestres como o Tezuka e as meninas do Clamp. Alguém aqui seria capaz de bater os olhos nos desenhos de Kei Ishiyama e reconhecer a autoria de imediato? Ter personalidade é isso. É ser único. Não acho que seja o caso. Mas, é claro, vocês podem discordar de mim.

O espaço está aberto para críticas. Comentem à vontade, que estamos curiosos para saber a opinião de vocês. Se quiserem, mandem e-mail, também.

Escrito por Diogo Bercito às 09h48

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Animês da Marvel

Como eu sou "das antigas" (e saudosista) no quesito HQs, sempre olho com desconfiança projetos de transformar produtos ocidentais em mangás ou animês. Mas os trailers dos animês de Wolverine e Homem de Ferro prometem. O aparente truque do sucesso? Entender que não basta colocar olhos puxados -- há toda uma linguagem específica que faz dos desenhos japoneses, japoneses. Mas vamos ver o que vocês acham dos vídeos: 

Escrito por Diogo Bercito às 15h06

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E é gooooooollll

Romário encara zagueira flamenguista em cena do Canal 100Se você gosta de futebol, tome cuidado com o site do Canal 100. Pode ser que você perca um bom tempo assistindo a imagens de jogos clássicos, a maioria do tempo da TV em preto e branco e do futebol-arte.

 

O site, em formato de blog, aborda momentos históricos do futebol brasileiro, e cada post vem complementado por um vídeo.

 

Os vídeos são parte do arquivo do Canal 100, cinejornal exibido como prévia das sessões de cinema, que existiu de 1957 a 2000 e ficou famoso por seus registros futebolísticos.

Escrito por Tarso Araujo às 15h05

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Lambe-lambe da Periferia

Projeto “Um Olhar” reúne jovens da periferia interessados em fotografar e expõe trabalho pelas ruas da zona sul de SP. Veja fotos extras da reportagem publicada hoje no Folhateen

CÍNTIA ACAYABA

DA AGÊNCIA FOLHA

Catorze jovens fotó­grafos da periferia de São Paulo fizeram do extremo sul da cidade uma galeria de arte a céu aber­to. Eles espalharam cerca de 40 lambe-lambes (cartazes de co lagem) com fotos feitas pelo grupo em localidades como Grajaú e Cantinho do Céu.

O fundo de um bar, a parede de um sobrado e o portão de uma oficina mecânica são al­guns dos locais escolhidos pe­los integrantes do projeto "Um Olhar" para exporem fotos, feitas nos últimos seis meses.

Quase todos os lambe-lambes da exposição ganharam in­tervenções de grafite feitas pe­los próprios artistas.

Jacó dos Santos, 42, ganhou um, colado no portão de sua oficina. "Achei bonito. Não tem muito dessas coisas por aqui."

Criado em 2006 na favela Pa­raisópolis (zona sul de SP), o grupo reúne jovens _o mais novo tem 16 anos - interessa dos em fotografar, mas "sem condições de pagar curso no Senac", diz o coordenador do projeto, André Bueno.

Munidos de máquinas foto gráficas reflex 35 mm usadas, os jovens foram às ruas para cli­car o que vissem pela frente.

Os encontros semanais ocorriam no Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Interlagos, e a verba veio de uma fundação ligada ao Ministério da Cultura.

"A ideia é fazer com que o jo­vem morador da região perceba seu entorno por meio da fotografia", diz Bueno.

João Paulo Costa, 18, aluno do primeiro ano do ensino médio, diz que estava "desanima­dão" com a vida, mas que, com a máquina na mão, está prestando mais atenção nas coisas - inclusive nas ruins.

"Estava no ônibus e tirei a máquina da mochila. O pessoal ficou ligado, pensando que era uma arma."

Foto como documento

Depois de fotos aleatórias, os jovens passaram a registrar a desapropriação de moradores do entorno da represa Billings.

Eles clicaram famílias despejadas e casas sendo demolidas. "A fotografia é uma forma de documentar essa história", diz Rodrigo Obranco, 23.

A oficina não é profissionalizante, mas ajuda na carreira. É o caso de Elaine Braga, 20, que abandonou o curso de letras por ter perdido a bolsa de estudos.

"É difícil entrar no mercado de trabalho. O projeto me deu um andamento para me tornar profissional em fotografia ou em design."

Escrito por Tarso Araujo às 14h29

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Saído da Lama

Hoje publicamos no jornal uma entrevista com Nic Sheff, 26, autor de "Cristal na Veia" (Agir, 349 págs., R$ 40), bestseller em que o americano de São Francisco conta sobre sua relação de dependência com as drogas, que entraram em sua vida quando tinha 11 anos.

Confira aqui alguns trechos da obra, que acaba de chegar às livrarias.

“Bom, como eu ia dizendo, naquela noite vomitei por cerca de uma hora e depois desmaiei no chão do banheiro. Acordei sem lembrar de quase nada do que tinha acontecido.Menti, dizendo que a causa do vômito por todos os lados era uma comida estragada. Para falar a verdade, fiquei com medo, e não voltei a beber por um longo tempo.

 

“Em vez de beber, comecei a fumar maconha. Aos 12 anos, já estava fumando todos os dias, me embrenhando no meio dos arbustos durante o recreio. Isso continuou até o fim do ensino médio.”

 

“Zelda passou a representar para mim tudo que pensava precisar para que minha vida fosse perfeita. (...) Todo mundo em Los Angeles a conhece. Ela é meio celebridade, sacou? Estar com ela se tornou uma obsessão para mim.

 

Mas, no final das contas, ela não largou o namorado e acabou ficando grávida dele. Eu fiquei arrasado. Não conseguia lidar com aquilo. Então ontem eu recaí, e saí dirigindo pela Route 5, bebendo uma garrafa de Jägermeister.”

 

“Fui levado para o primeiro centro de reabilitação quando tinha 18 anos. Estava tomando metanfetamina há apenas uns seis meses, mas minha vida já tinha começado a desmoronar. (...) comecei a vagar pelas ruas e a conversar com pessoas imaginárias.”

 

“A verdade é que eu não queria parar. Não gostava de roubar, de magoar meu pai, etc. Eu odiava tudo isso. Mas estava com tanto medo de parar de usar drogas... Era um círculo vicioso horrível.”

 

“Eu pego as seringas e começo a preparar duas doses bem grandes para a gente. Eu estico meu braço e ele coloca a agulha na minha veia (...). O processo é um pouco assustador e um pouco erótico. (...) Eu tusso e sinto a onda. É maravilhoso.”

 

“Se vender é tão fácil e lucrativo, não consigo imaginar que problemas nós vamos ter. E eu não vou voltar a ter a vida que levava de jeito nenhum – revirando lixo para comer, entrando em bares gays para me prostituir, ficando na esquina da Castro com a 18ª (...) Doeu tanto das primeiras vezes. (...) Só de pensar nisso, fico ruim do estômago. Esse lance de vender tem de dar certo.”

 

“Vou a algumas reuniões com Spencer enquanto ainda estou no meio da desintoxicação, mas não consigo me concentrar (...). É como se alguém tivesse sugado meu cérebro com um aspirador de pó e removido qualquer vestígio de alegria ou animação, deixando-me apenas com essa gigantesca desesperança.”

 

“Fui demitido na sexta-feira. Apareci completamente doido no salão depois de passar a noite inteira acordado injetando cocaína com Zelda. (...) Não sei como vou fazer para arrumar dinheiro agora. (...) E, ainda por cima, tem um caroço inchado doendo no meu braço. Zelda diz que deve ser por causa de uma agulha suja. Na última semana ele ficou maior ainda e está arroxeado (...) é do tamanho de uma bola de beisebol. Eu fico torcendo para ele sumir, mas ele só piora. E dói tanto!”

Escrito por Tarso Araujo às 10h39

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