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Meu Ex É Gay - como você reagiria se seu namorado(a) te dissesse que está gostando de uma outra pessoa... do mesmo sexo? Fomos ouvir quem já passou por isso

Gótica, Lolita & Fofa - conheça Misako Aoki, a embaixadora do "kawaii"

Enquanto 'O Hobbit' Não Vem - os fãs se viram e fazem seus próprios filmes baseados na obra de Tolkien; 'Born of Hope', o mais novo deles, estreia amanhã, e nós falamos com o protagonista e vimos uma parte!

Páginas pra Vida - sabe como ler a linha do amor na sua mão? Salvar uma pessoa engasgada? Tirar chiclete do cabelo? A gente leu num livro, e ensina

Todos Querem Brilhar - festival de graça, no sábado, em São Paulo, reúne dez bandas novas - é o Cena Musical Independente

Ronaldo Lemos - as bandas mais populares do país não estão nos jornais, nas rádios nem nas TVs (e nem no MySpace); nosso colunista conta como uma galera lado B (tipo o Forró do Muído) se promove e faz muito sucesso

Jairo Bouer - amanhã é o Dia Mundial de Luta contra a Aids, e o Jairo dá um panorama geral de como anda a doença no Brasil e no mundo - e não anda nada bem, especialmente para os jovens

02 Neurônio - as garotas falam sobre a praga dos recém-convertidos aos exercícios físicos (que não largam do seu pé, tentando te convencer a entrar nessa onda), além do Diabo Verde para relacionamentos

Escrito por Marco Aurélio às 23h33

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Gatos domados

Os donos de gatos costumam falar sobre como os bichanos só fazem o que querem, não são adestráveis como cães... bom, só se for por aqui; na Rússia, os gatos aprendem a andar na linha (dentre outros truques):

Escrito por Marco Aurélio às 23h26

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Ponto de vista

Mais uma boa sacada da turma que detesta "Crepúsculo"

Tradução: se fossem homens de 40 anos gritando por garotas de 17, alguém chamaria a polícia.

Escrito por Marco Aurélio às 22h03

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Bate-papo sobre maconha no Uol

Hoje, às 19h, o Folhateen promoveu um bate-papo no Uol com o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do Uniad (Unifesp), e o advogado João Daniel Rassi, autor do livro "Lei de Drogas Anotada".

O mote da conversa foi a reportagem desta semana no Folhateen, "Minha Casa É 'Legalize'", sobre filhos que fumam maconha com os pais.

Mas os internautas perguntaram sobre vários aspectos do tema "maconha". Principalmente sobre legalização, sobre o que acontece com usuários pegos em flagrante e sobre os efeitos da droga para a saúde dos usuários.

Aqui você confere uma seleção das perguntas que rolaram no bate-papo. No Uol, você lê a íntegra da conversa.

Melhores momentos:


ivi fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
Qual deve ser a atitude da família ao descobrir que o filho adolescente usa maconha?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Discutir os riscos e os valores da família em relação ao uso de substância. É um bom momento para a família poder discutir as escolhas de cada um dos seus membros e saber o que devemos apoiar ou não.

prix fala para Rassi
: Gostaria de saber com qual quantidade de maconha você passa a ser considerado traficante. Tem uma lei a esse respeito rolando, não tem?
J.D. Rassi: A legislação mexicana prevê uma quantidade mínima de droga para ser considerando traficante. No Brasil vai depender do caso concreto. Pela atual legislação não há uma quantidade fixa para se estabelecer quem é traficante ou quem é usuário.

Lê.galize fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
o que você acha de pais que fumam com os filhos?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Acho um absurdo, pois estão tornando aceitável um comportamento que com certeza trará repercussões mais acentuadas para os adolescentes. Isso já aconteceu com o cigarro e as pesquisas mostraram que os filhos que fumavam com os pais foram os que ficaram mais dependentes e tiveram piores efeitos do cigarro.

Pró-legalizacao fala para Rassi:
Qual sua opinião com relação a legalização?
J.D. Rassi: Sou favorável a legalização da chamada droga leve, cuja venda poderia se submeter ao controle estatal. No entanto, por razões prática, essa legalização deveria se limitar a uma política de redução de danos...

Mlk Carioca fala para Dr. Ronaldo Laranjeira: A maconha é a droga mais leve existente hj?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Não acredito que exista droga leve. Como a maconha é a principal droga consumida pelos adolescentes, e pela repercussão que ela tem no cérebro em formação, eu reluto a aceitar que ela seja leve.

thomas420 fala para J.D. Rassi: Qual seria a pena para uma planta de 1,20 de altura cultivada para fins decorativos?
J.D. Rassi:
Não existe uma hipótese específica para quem planta com fins decorativos de modo que, numa interpretação legalista, o crime seria do art. 33 [tráfico]. No entanto, é bem provável que num caso como esse, o juiz, por uma questão de bom senso, poderia interpretar essa conduta como sendo crime do art. 28 [consumo], para evitar o rigor desproporcional da lei...

Rossetto fala para Dr. Ronaldo Laranjeira
: Experimentai maconha apenas uma vez, com alguns amigos por curiosidade, alguns deles sentiram efeito, mas em mim não fez efeito algum, não senti nada diferente, nenhuma alteração, o que ocorreu?
Dr. Ronaldo Laranjeira
: A maior parte dos usuários de primeira viagem não consegue absorver quantidade suficiente para que a maconha faça algum efeito farmacológico. É necessária a técnica de segurar a fumaça por certo tempo.

cmcamilo fala para J.D. Rassi: Acredita que a legalização da maconha poderia levar à diminuição da violência urbana no Brasil?
J.D. Rassi:
Sim. O controle estatal na venda da droga poderá diminuir a violência no que diz respeito ao tráfico. No entanto, não podemos esquecer que o usuário, sem condições financeiras, poderá para adquirir o produto praticar crime de roubo, furto etc., como normalmente acontece...

Dan fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
Já li a respeito que no EUA alguns médicos receitam a maconha como medicamento. Gostaria de saber para que fins. Em que ocasião?

Dr. Ronaldo Laranjeira:
Essa é uma questão controversa. Mas para algumas doenças, como câncer terminal e esclerose múltipla, pode ser que possa ter algum benefício para o paciente.

Luô fala para J.D. Rassi:
A descriminalização da maconha na Argentina, México e Peru, pode ser encarada como um "teste" para o Brasil, visto suas semelhanças legislativas, como até político-econômicas?
J.D. Rassi:
Sim. Tanto é verdade que estamos tendo discussões recentes sobre a DESCRIMINALIZAÇÃO de quem tem droga para consumo pessoal, que ainda não ocorreu apesar de nossa lei ser de 2006. A idéia é respeitar a liberdade individual de quem quer ser usuário, evitando com que, para adquirir a droga, frequente um ambiente de marginalidade. Não vejo, no entanto, uma preocupação econômica nesse debate. O debate é político e está ligado ao respeito a liberdade individual.

Sandro -viciado fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
Qual o primeiro passo para me libertar do vício da maconha sem que precise de internação?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Dificilmente alguém precisa de internação para parar de usar maconha. O primeiro passo é ter a motivação suficiente para parar. O segundo passo é fazer um plano que funcione para você, ou seja, para de repente ou para as poucos. Os dois podem funcionar, desde que você não faça um plano muito longo.

Eduardo fala para J.D. Rassi: O problema maior da liberação da maconha é porque ela faz mal ou porque o governo não tem como controlar o tráfico e distribuição?
J.D. Rassi: O debate sobre a descriminalização encontra obstáculos de duas naturezas. Uma é moral, onde se entende que o Estado deve controlar o uso da droga independentemente da vontade de quem quer ser usuário ou não. O outro é científico e depende de estudos para se saber até que ponto o consumo de determinada droga gera o vício ou dependência. Não acredito que o fato do Estado não ter condições de controlar a venda seja um empecilho (se é que essa dificuldade existe, lembre-se que a bebida é comercializada normalmente, com arrecadação tributária etc.). 

romano pergunta para Dr. Ronaldo Laranjeira: A maconha realmente acaba com os neurônios? Já ouvi pessoas desmentindo, portanto tenho essa dúvida.
Dr. Ronaldo Laranjeira: Na realidade a maconha não destrói os neurônios, ela desorganiza a química cerebral. O que na prática já é bem negativo. Especialmente para um adolescente que está com o cérebro em formação e formatação. 

marina pergunta para J.D. Rassi: como devo agir caso seja pega pela polícia com uma quantidade pequena de maconha, para consumo próprio? Como os policiais devem proceder? Como devo agir? O que os policiais não podem fazer?
J.D. Rassi
: Nesse caso, em que se é surpreendido com droga para consumo pessoal, a autoridade deverá conduzir a pessoa ao um distrito policial onde será lavrado um termo circunstanciado. Não pode haver prisão em flagrante. Mais para frente, a pessoa envolvida terá direito a um acordo que poderá consistir no pagamento de cestas básicas, por exemplo, para não responder o processo até o final. Caso contrário, se quiser responder o processo, não há pena de prisão caso seja condenada. Aliás, se não houver esse acordo, a condenação poder ser de “advertência sobre os efeitos das drogas”, “prestação de serviços à comunidade” e obrigação de comparecer em programa ou curso educativo, caso seja condenada.

Maconheiro_nato fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
Fumo maconha desde os meus 11anos de idade, e me disseram uma vez que ela diminui o numero de espermatozoides, hoje tenho 35 anos, existe a possibilidade de eu ter matado todos meus espermatozóides?
Dr. Ronaldo Laranjeira:
Existem poucas evidências de que a maconha afete os espermatozóides. Não me preocuparia com isso, mas com os demais aspectos do uso da maconha, como a motivação e a iniciativa e a memória.

 

Escrito por Tarso Araujo às 20h54

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A escrita da luz

São tantas fotos e tão geniais que é quase um pecado escolher apenas uma (e colocar no tamanho reduzido do blog). É o concurso anual de fotografia da "National Geographic", e você pode votar on-line.

Abaixo, as Cataratas do Iguaçu, que são realmente um espetáculo.

Escrito por Marco Aurélio às 15h50

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Safra de mangás

Precisando de dicas do que ler nas férias que estão chegando? Confira abaixo a resenha de alguns lançamentos de mangás no Brasil.

 

*

‘Unordinary Life’

Editora Savana

R$ 10,90, 192 págs. 16 anos.

 

A história de "Unordinary Life" (vida incomum), mangá com roteiro de Aoi e traço de Yashiki Yukari, começa com a triste separação de Mayu, abandonada por seu namorado. Sem ter onde morar, passa a dividir um quarto com a desconhecida Yuka, de quem se torna grande amiga.

 

*

‘Aflame Inferno’

Editora Savana

R$ 10,90, 192 págs. 18 anos.

 

Kang Shichan,17, é bonito, inteligente e está quase conseguindo transar com sua sexy professora. Mas a vida do rapaz dá uma guinada quando ele se transforma em um demônio, por acidente. História de Lim Dall-Young e desenho de Kim Kwang-Hyun.

 

*

‘Afro Samurai’

Editora Panini

R$ 9,90, 168 págs.

 

Só o fato de o personagem principal deste mangá (de Takashi Okazaki) ser um samurai negro já chama a atenção. A história, cheia de lutas, se passa em um Japão apocalíptico e feudal. O animê de "Afro Samurai" foi exibido no Brasil pela MTV.

 

*

‘Eensy Weensy Monster’

Editora Panini

R$ 9,90, 208 págs.

 

O mangá "Eensy Weensy Monster" é de autoria de Masami Tsuda ("Karekano") e conta a história da estudante Nanoha e sua vida comum e desinteressante. Até que o ódio que ela sente por Hazuki, sua arquirrival, se materializa em um monstrinho feio e misterioso.

Escrito por Diogo Bercito às 15h16

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Super Emos

Um designer criou versões emo dos super-heróis mais famosos. E ficou sensacional!

Escrito por Marco Aurélio às 13h38

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Muppets vs Queen

Os bonecos de Jim Henson mandando ver numa versão de "Bohemian Rhapsody"

Escrito por Marco Aurélio às 18h00

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COMPORTAMENTO

Minha casa é "legalize"

Conheça a história de pais e de filhos para quem fumar maconha é um ritual familiar

Leonardo Wen/Folha Imagem
Em família: mãe e filha fumam com amigos em comum

TARSO ARAUJO
DA REPORTAGEM LOCAL

"No começo, fumava maconha em casa, escondido, sabendo a hora em que minha mãe chegaria. Um dia, ela voltou cedo e me pegou desprevenido", conta Eduardo*, 23.
Na maioria das famílias, isso seria o início de uma crise. Não na de Eduardo.
"Ela percebeu e disse: "Deixa eu dar "um dois" também'", afirma, usando uma gíria comum para "fumar maconha".
Famílias como a dele, que fumam maconha juntas, não são tão difíceis de se encontrar. O Folhateen conversou com seis desses filhos e com seus pais.
Os jovens entrevistados começaram a fumar maconha fora de casa, na adolescência, com amigos da mesma idade. E todos sabiam que seus pais também usavam a droga quando se iniciaram.
O que muda de família para família é o tipo de influência dos pais sobre os jovens.
Marcela, 21, acha que começou mais tarde do que as amigas justamente por causa da mãe. Quando tinha 11 anos, ela teria uma aula sobre drogas na escola, e sua mãe resolveu se antecipar e abrir o jogo. Contou que fumava maconha e deu sua opinião sobre o assunto.
"Como era uma coisa natural para mim, não tinha curiosidade. Fui uma das últimas das minhas amigas a experimentar. A maioria delas começou na sétima série, e eu só no primeiro ano [do ensino médio]", diz.
Já Alice, que tem 21 e começou aos 16, acha que, se o pai não fumasse a erva, seu hábito poderia ter mudado. "Talvez estivesse parando, como algumas amigas."
Mas todos os jovens ouvidos pelo Folhateen afirmam que fumariam maconha mesmo sem a influência dos pais. "Minha curiosidade viria de qualquer maneira, tanto que não comecei com minha mãe", diz Luís, 24. Ele fumava com ela, que há pouco "desencanou".
"Fumaria do mesmo jeito, porque é uma coisa muito mais com os amigos do que com meus pais. Um quarto da minha turma de colégio fumava", diz Alex, 24, irmão de Alice.

Educação sobre drogas
Os pais dizem preferir que os filhos fumem em casa e com eles. Seus argumentos vão da segurança à redução de danos.
"Tenho certeza de que é melhor assim, porque aí sei o quanto e como meu filho fuma", diz a mãe de Luís. "E, se ele ficar dependente, é melhor ter na mãe um amigo."
Na família de Alice e de Alex, moradores do Rio de Janeiro, sempre houve preocupação com a segurança. "Até hoje pego maconha com meu pai. Ele sempre pediu para evitar pegar por conta própria. Isso me protegeu de situações perigosas, como subir morro", diz Alex.
Outra recomendação constante do pai é "não andar com "flagrante" e ter cuidado com os "homens'". O que não foi suficiente. "Já "rodei" na mão da polícia, indo à praia. Aí perdemos um dinheiro "de leve'".
Para o especialista em drogas Osvaldo Fernandez, antropólogo da Universidade do Estado da Bahia e professor visitante da Universidade Columbia (EUA), os argumentos dos pais fazem sentido, especialmente por tratar-se de droga ilegal.
"Muitas vezes a ilicitude leva à desinformação, então torna-se imprescindível um manual de sobrevivência com vistas à educação dos filhos. Pais que fumam com filhos podem ajudar a reforçar valores como moderação e autocontrole."

Amizade: causa ou efeito?
A psicóloga da USP Maria Abigail de Souza, especialista em tratamento de dependências químicas, reprova o costume. Para ela, isso causa uma confusão de papéis.
"Me dá a impressão de que esses pais querem dar uma de condescendentes para se aproximar dos filhos, talvez porque não tenham outra maneira. Saem da posição de pais e entram na de amigos. Mas adolescente precisa de um pai. Amigo ele tem bastante", diz.
Para as famílias entrevistadas, não é assim. "A gente se dá bem porque sempre se deu. Fumar junto é consequência da nossa amizade, e não o contrário", afirma Marcela, que diz fumar com a mãe socialmente, em festas ou ocasiões parecidas -elas não compram a droga.
O pai de Alex e de Alice tem opinião parecida. "Não é por fumar com eles que sou mais próximo." Alex explica: "O ambiente da família é que sempre foi de muito diálogo".
Médicos ouvidos pelo Folhateen reprovam que pais fumem maconha com seus filhos, por acreditar que isso cria um ambiente de risco para a saúde.
Juízes consultados pela reportagem dizem que o hábito pode até levar à perda da guarda de filhos menores de idade.
Mas todos os entrevistados ressaltam a importância de conversar abertamente sobre drogas com os filhos.
Para a mãe de Luís, o pior a fazer é ignorar o fato. "Fingir que não vê é hipocrisia. E reprimir não é saída. É beco."


* Todos os nomes são fictícios



[+] saiba mais


O que diz a lei
Segundo a lei sobre drogas em vigor no país desde outubro de 2006 (lei nº 11.343), adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer drogas para consumo pessoal é crime. Ela extinguiu a pena de prisão para usuários, que passaram a ser ajulgados em juizados especiais e, se condenados, são geralmente obrigados a prestar serviços comunitários. Já a pena mínima para tráfico aumentou de três para cinco anos de prisão. A lei não distingue, porém, a diferença entre usuário e traficante. No caso de um flagrante, quem faz essa distinção é o delegado de polícia.

[+]O QUE DIZEM...


...OS MÉDICOS

Hábito deixa filhos mais vulneráveis

Os psiquiatras especializados em dependência química ouvidos pela Folha reprovaram o hábito de pais fumarem maconha com seus filhos.
"Acho errado, ousado e perigoso. Cria um espaço vulnerável. Acho interessante ter uma proximidade entre pais e filhos, no mundo em que vivemos. Mas amigo é amigo, pai é pai. E o papel dos pais é cuidar da saúde e da educação. Fumar junto não é salutar", diz Arthur Guerra, psiquiatra da Faculdade de Medicina da USP.
"O argumento de proteger os filhos não é um absurdo. Faz sentido para quem defende o uso, mas eu não assino embaixo."
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que "quando o adulto endossa e compartilha a cultura da droga, ele não apenas contribui para o uso mas facilita a persistência do uso e o desenvolvimento da dependência".
"Não conheço estudo que comprove isso, mas me surpreenderia se jovens que fumam com os pais em casa não tivessem mais chance de desenvolver dependência do que os outros que usam a droga. Você está criando uma vulnerabilidade que é condenável."
Guerra também cita a preocupação de a droga mascarar sintomas de problemas psíquicos. "O medo é de que esses jovens usem a droga como um antidepressivo, o que pode esconder um quadro mais grave de depressão."

...OS MAGISTRADOS

Pela lei, pais podem ser punidos

Em caso de denúncia, pais que fumam maconha com filhos menores de idade podem ter problemas na esfera penal ou na do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). É o que dizem juízes ouvidos pela Folha.
"Podem ter problemas, uma vez que estão, com seu próprio exemplo e conduta, levando os filhos a uma prática ilícita", diz o desembargador Antônio Carlos Malheiros, coordenador das varas de infância e juventude do Estado de São Paulo.
Teoricamente, os pais poderiam até mesmo perder a guarda dos filhos -mas a medida é considerada radical pelos juízes.
"Imaginando um garoto de 17 anos que faz uso recreacional da droga com os pais, como outros bebem uma cerveja com o pai ou a mãe, me parece que jamais poderíamos pensar nessa medida", diz Luiz Fernando Vidal, juiz da 3ª Vara de Fazenda de São Paulo, dez anos de experiência em varas de infância e adolescência.
Para ambos, o mais provável seria a aplicação de uma medida de orientação, acompanhamento por um conselheiro tutelar ou advertência. No caso de filhos maiores de idade, os pais não podem ser responsabilizados.
Para Malheiros, "cada pai deve saber o que é melhor para seu filho. Não existe fórmula pronta. Droga faz mal, mas isso não pode ser enfiado na cabeça de um jovem à força. O diálogo na família é o que vai fazer efetivamente que os filhos cresçam melhores."

Escrito por Tarso Araujo às 17h04

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Mitos e verdades sobre a maconha

Muito se diz sobre os efeitos do uso prolongado de maconha. Mas o que dizem os especialistas?

Prejudica a memória e o aprendizado?
“Sem dúvida, especialmente logo após o uso, isto é, nas próximas horas”, diz o psiquiatra Arthur Guerra, da USP.

“Mata” neurônios?
“Não existem evidências, mas causa alterações da formatação cerebral [no desenvolvimento do cérebro], especialmente na adolescência”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.

Causa comportamento violento?
“Por si só, ela não desencadeia o comportamento violento”, diz Guerra. Mas ela pode agravar quadros psicóticos, que podem levar a isso.

Causa depressão?
“Fica complicado dizer que ‘causa’ depressão”, diz Ronaldo Laranjeira. O que a droga faz, ele explica, é piorar os sintomas de quem já tem a doença. E ela pode desencadear a depressão em quem tem predisposição genética para tal.

É porta de entrada para drogas mais pesadas?
Estudos mostram que as primeiras “portas de entrada” são as drogas legais, bebida e cigarro. Mas a maconha pode favorecer a escalada, farmacológica e socialmente. “Adolescentes envolvidos com o uso de maconha conhecerão adolescentes que também a usam e conhecem outras drogas. Portanto, o grupo social dos usuários influenciará a experimentação mais pesada”, diz Laranjeira.

Maconha causa câncer de pulmão?
“Os estudos não são conclusivos, porque é difícil encontrar populações de pessoas que fumam apenas maconha, não cigarro. Mas estudos recentes sugerem que quem fuma regularmente maconha e tabaco têm mais chances de ter câncer de pulmão do que quem apenas fuma tabaco”, diz o pneumologista e oncologista do Hospital Sírio-Libanês Riad Naim Younes.

Maconha faz mais mal do que o cigarro?
“Não dá para fazer essa comparação, porque nunca foi feito nenhum estudo desse tipo. Mas podemos dizer que fumar maconha faz mal para a saúde. Cigarro faz muito mal para a saúde. Fumar maconha e cigarro faz muito mais mal para a saúde”, diz Younes.

 

Escrito por Tarso Araujo às 15h06

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