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Colírios bonitos ou cegueira política

Por Cléberson Alcântara dos Santos
@clebersonpax

No último domingo, tivemos a mais bela demonstração da democracia (pré)adolescente brasileira: a final do Colírios Capricho, reality show da MTV que escolheria o garoto mais bonitinho, fofinho, lindinho e todos os inhos possíveis para fazer parte do grupo de meninos que compõem o blog "Vida de Garoto", da revista Capricho.

Esses colírios nada mais são do que alguns garotos pra menininhas com idade abaixo dos 16 anos suspirarem, gritarem e etc. Todas aquelas coisas de fã. Foram cerca de 600 mil votos que garantiram a vitória do "gatinho" Renan Grassi. Durante cerca 40 dias, essas meninas acompanharam a trajetória desses garotos, que agora terão fama e menininhas aos seus pés, rumo ao estrelato.

Por algum motivo, tudo isso me lembra um outro exemplo de mobilização nacional: o Big Brother, que invade nossas telas no começo de cada ano com pessoas seminuas à beira da piscina. Capaz de captar a atenção (e os votos) de milhões de brasileiros, o BBB é o maior exemplo de como as pessoas gostam de admirar a vida alheia e da busca de anônimos por um prêmio milionário.

O que estes dois realities têm em comum é o modo como os seus espectadores agem diante de "injustiças" realizadas pelos participantes. Se algum BBB (ou até mesmo colírio) agisse com preconceito, maldade, ou qualquer outra coisa considerada inaceitável, milhões de brasileiros o colocariam pra fora do programa, sem o menor direito de resposta.

Aonde quero chegar com tudo isso?

Com apenas uma pergunta: Por que não ter essa mesma atitude com a nossa politica???

Porque a TV tem uma capacidade imensa de manter a atenção da grande massa (pra não dizer "alienar"). Grandes programas populares têm essa missão de tornar aquilo um assunto durante a semana, de se identificar com aquilo que acontece ali e ter o poder de decidir o rumo das coisas.

Teoricamente, com a politica é a mesma coisa. Mas de tanto nos decepcionarmos com os nossos amados representantes, não surge tamanho interesse ao voto, propriamente disso.

Se tivéssemos a mesma atenção que temos com a eleições igual a que temos com um reality, nem seria necessário criar leis de ficha limpa, pois todos nós teríamos consciência do nosso poder de voto.

Mais uma pergunta: Qual é o paredão que realmente terá influências na nossa vida: o eleitoral ou do Big Brother?

Quanto aos colírios, espero que eles tenham muito mais a dizer do que sobre sua "Vida de Garoto", eles têm o poder de influenciar toda uma geração que será de eleitores numa próxima eleição, tomara que saibam usar todo esse poder para, quem sabe, formar opinião.

 

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Escrito por Mayra Maldjian às 19h58

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Pai vilão, pai herói

Por Marcia Shimabukuro

No último sábado, briguei com meu pai. O motivo era bobo, mas agora estamos sem nos falar.

Estive pensando, nesses dias, no quanto eu gostaria que essa situação se revertesse. Não desejo que com o tempo a mágoa torne-se rotineira, que nós fiquemos cada dia mais afastados, até que quando eu menos esperar, eu já tenha me acostumado a isso. Sobretudo, minha vontade é de que eu possa olhá-lo com ternura neste domingo e dizer: "Feliz Dia dos Pais, amo você".

Palavras simples, tão simples, mas que são poderosas e poderiam sim mudar duas vidas. Nós, filhos, temos a impressão de que pais não podem errar, não podem ter dúvidas, não podem sentir medo. Pai é aquele que te conforta, que te dá segurança e que você sente que tudo está certo. Mas e se ele também não tiver certeza? E se você descobrir que às vezes ele também é criança? Que ele não tem todas as respostas? Que ele talvez não possa estar sempre lá?

Um dia nós descobrimos: pai não é vilão. É um ser humano que quer seu bem. Ele pode fazer isso da maneira mais errônea, e você pode ficar magoado com ele. Mas valeria a pena afastar-se do afago mais protetor que ele te propicia?

Um dia nós descobrimos: pai não é heroi, mas fará o possível para te ver feliz. Vai desejar que você prospere no futuro. Que você crie asas para alçar voos maiores do que os que ele pode voar. Mas que um dia você volte para visitá-lo e contar o que viu no mundo.

Falta-me coragem para dizer a ele: "Me desculpe, não quis te deixar chateado". Sobra-me o temor de ser rejeitada por ele. Mesmo que eu não consiga dizer, espero que ele saiba. Pai, admiro você e tento entendê-lo do meu jeito. Meu carinho por você durará para sempre.

Escrito por Diogo Bercito às 14h27

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