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Um dia de Lennon

Por Renata Ananias

Para não deixar passar batido o aniversário de 70 anos do beatle John Lennon --ele nasceu no dia 9 de outubro--, nada melhor do que relembrar a vida do rapazinho de Liverpool fazendo o mesmo trajeto que ele fazia para ir a escola, a igreja, ao cavern club...

Depois de muito trabalho consegui convencer algumas pessoas asair de Oxford, pegar dois trens, aguentar uma viagem de quase 4 horas e finalmente chegar na cidade dos FAB 4: Liverpool.

Frio, dia cinza e chuva mais uma vez confirmando que ainda estávamos na terra da rainha. Depois de largar as malas no albergue (que eu tinha "bookado" errado), dançar na escada de incêndio, resolvemos sair para explorar a cidade.

Sem mapa e sem destino, fomos até a Chinatown, ao Albert Dock, ao Museu dos Beatles e finalmente achamos o Cavern Quarter, o quarteirão onde concentra a maior parte dos "clubs" da cidade, entre eles o famoso Cavern Club.

O Cavern Club foi onde os Bealtes iniciaram a carreira, e lá a lei é só tocar Beatles. Cada dia uma banda diferente mostra suas habilidades "beatlelísticas", muitas vezes, usando ternos iguais ao do quarteto fantástico. O lugar é todo decorado com quadros de bandas da época, autógrafos, instrumentos, monumento dos Beatles e achar um tijolinho vago para assinar é uma tarefa difícil.

No dia seguinte, fizemos uma visita ao estádio e ao museu do Livepool FC, e até entramos em um barzinho de "hooligan" por engano.

E, finalmente, mais tarde, fizemos o tour mais esperadp: o FabFour Taxi Tour. O taxi, que custa em média R$ 150,00 e comporta 5 pessoas, te leva a todos os lugares relacionados aos Beatles.

O motorista vai contando historias, mostrando fotos em cada parada. O tour dura em média três horas e vale cada centavo. Tudo começa na maternidade onde o bebe John nasceu...

John e Paul se conheceram na época do colégio, já que estudavam na mesma rua, em escolas vizinhas. E ainda na mesma rua há um monumento (A Case History) com várias malas espalhadas e alguma delas com uma indicação dizendo a quem pertencia.

Visitamos a casa do Ringo Starr, tiramos fotos no pub que foi capa do seu álbum solo e seguimos para Penny Lane. A rua Penny Lane é onde estão todas as citações da música, além do estúdio onde os Beatles tiraram sua primeira foto e a igreja em que tocavam.

Passamos pela casa do Paul e então fomos para um lugar onde Lennon queria tanto brincar e não podia: Strawberry Field, que de original só resta o portão vermelho onde os fãs deixam mensagens.

Na casa de John, tiramos fotos fazendo a mesma pose que ele fez quando criança. John foi criado pelos tios. Num certo dia, sua mãe, Julia, foi visitá-lo, e ele não estava: ela morreu naquela mesma noite, atropelada por um motorista bêbado.

Não sei por que, mas o lugar que estava mais ansiosa para visitar era o cemitério das "all the lonely people". Foi nesse cemitério, ao lado da St Peter’s Church e do monumento da paz, que surgiu a inspiração e os nomes citados na letra de Eleanor Rigby. Entre Eleanor Rigby está enterrado também George Toogood, tio de Lennon.

Nossa última visita foi a George Harrison, e então fomos abandonados pelo Fab Four Taxi em frente ao Cavern Club para mais uma noite de Beatles.

Escrito por Mayra Maldjian às 21h18

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Um grande brasileiro chamado mesário

Por Márcia Shimabukuro


No dia 3 de outubro, eleitores do Brasil inteiro foram recepcionados por cidadãos que prestavam serviço à Justiça Eleitoral. Eu fui uma desses cidadãos. Quando a famosa carta de convocação chegou em casa, eu não estava. Minha mãe me ligou avisando: "Chegou carta da Justiça Eleitoral para você. Você foi convocada para mesária." A carta de convocação já havia chegado em casa para meu irmão mais velho, um mês antes.

Já sabia então o que me esperava. Fiquei estarrecida com a notícia. Era pior do que se um tijolo tivesse caído sobre a minha cabeça! Trabalhar por dois domingos? Um deles bem no meio de um feriado prolongado? Era muita falta de sorte! Tinha que comparecer à minha zona eleitoral após dois dias e lá fui eu.

Para minha surpresa, uma senhora muito simpática me recepcionou, contando as vantagens de ser mesária. Contou que muitos jovens apareciam revoltados pela convocação, mas que eu iria gostar muito da experiência. E mais uma surpresa: eu deveria participar também de um treinamento para mesários, realizado (adivinhem!) em um domingo!

Engraçado é o número de lamentações que ouvi das pessoas. "Você vai ser mesária? Meus pêsames!", ou "Nossa! Que desgraça! Ainda bem que não estou no seu lugar" ou ainda "Credo! Ainda bem que eu não fui chamado!". Isso quando não faziam questão de gargalhar na minha frente e, em meio as risadas escandalosas dizer: "Se ferrou!".

Percebi o quanto nós fazemos pouco caso do mesário. É incomum alguém desejar trabalhar nas eleições, a maioria é obrigada a isso, apesar de ser crescente o número de voluntários. Meu irmão por exemplo estava inconsolável. Foram raras as vezes que o vi tão inconformado com alguma coisa. Quando ficou sabendo que eu, assim como ele, trabalharia nas eleições, ficou aliviado. "Pelo menos você vai saber o sofrimento que vai ser! Eu não serei o único!", desabafou comigo.

Enfim, o dia chegou. 3 de outubro, às 5h30 da manhã estava acordando para me apresentar na seção às 7 horas. A expressão de desgosto do meu irmão era mais evidente que Tiririca ser o candidato mais votado para deputado federal. Por incrível que pareça, acordei feliz. Achei que seria interessante fazer parte do processo democrático e contribuir para que todos tivessem seu direito de voto assegurado.

Chegando à minha seção, descobri que nunca nenhum dos meus companheiros de jornada havia trabalhado nas eleições. Sentimo-nos completamente perdidos. Os funcionários do TRE foram atenciosos o tempo todo e pacientes conosco, instruindo o que devíamos fazer antes de iniciar a votação. Logo que a seção abriu, às 8 horas, houve o primeiro imprevisto: a urna não funcionava. Chamamos ajuda, mas a urna não operava de maneira nenhuma.

Demorou 30 minutos até que fosse trocada e o problema se resolvesse. Resultado: uma fila gigantesca se formou com eleitores revoltados que não paravam de reclamar. Quem deveria se revoltar, no fundo, era eu. Fui xingada como se a culpa fosse minha, tive que aguentá-los de cara feia, bufando. Estava a ponto de explodir. Tentei atender a todos de maneira cortês e ágil, mas em contrapartida nem ao menos um bom dia eu recebi. Em um espaço mínimo, revezando entre 5 mesários, atendemos a quase 500 eleitores.

Apesar disso, aprendi algo muito especial: o verdadeiro trabalho em equipe. Mesários de outras seções foram nos ajudar quando a fila se complicou, e todos cooperaram dando o melhor de si. A presidente da seção assumiu de secretária quando foi necessário, deixamos o almoço para mais tarde quando percebemos que não era possível deixar os outros sozinhos com tantas pessoas para receber. Passamos fome, nervoso, mas dividimos uma experiência realmente única. Trocamos telefones e ficamos de nos falar, brincando, é claro, de que torceríamos para que não nos víssemos novamente ( ou ao menos não naquelas péssimas condições).

Enquanto você eleitor foi votar reclamando que deveria votar, reclamando da fila, reclamando de ter que esperar por meia hora, pessoas estavam preparando tudo para que você tivesse uma votação tranquila. Você votou, e foi embora. Eles ficaram lá até às 18 horas ou até mais. Não almoçaram com a família, não foram remunerados pelo trabalho árduo. Não é o momento também de refletir sobre a valorização deles? Meu depoimento é também um apelo: no próximo dia 31, respeite o mesário.

Visite o site do Folhateen!

Escrito por Mayra Maldjian às 13h09

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