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Achados e perdidos

Por Gabriela Quiles

É intrigante pensar em tudo que já perdemos em nossas vidas, pensar em tudo que já ganhamos, que já construímos ou que já destruímos, pensar em cada escolha, em cada decisão. Se fizemos certo, ou não.

A vida às vezes toma rumos que jamais planejamos. Ela nos surpreende. Encontramos pessoas maravilhosas, sentimos coisas únicas, conhecemos lugares inesquecíveis.

Num piscar de olhos, então, vemos tanta coisa indo embora, tanta coisa sendo perdida. Perde-se o contato com pessoas das quais você jurava nunca se separar, perdem-se lembranças de rostos, de lugares e as sensações acabam por se renovar.

Por outro lado, coisas são achadas, novos sonhos são construídos, novas pessoas conhecidas, novos lugares frequentados. E no meio a tanta mudança, ainda sobra uma parte de você, uma parte em você. Somos todos perfumes, que podem exalar alegria, que podem mudar o invólucro, mas não a essência. Essa continua sempre a mesma. Cada um com sua fórmula.

Há uma perfeita dinâmica em nossas vidas. Deixamos de fazer tanta coisa, para começar a fazer outras. É um ciclo. Abrimos mão daquilo que certamente nos fará falta, em nome daquilo que não podemos viver sem. O ser humano é assim, traça seu caminho aos poucos, e constrói sua personalidade a partir de suas decisões, das coisas que conseguiu manter consigo, das coisas que perdeu e das que ganhou em toda a sua vida.

A verdade mesmo é que nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Tudo que já foi seu um dia, serviu de algum modo para o que você é agora. Tudo o que já foi seu, continua sendo. Cada experiência, cada pessoa, cada atividade.

Logo, nada está perdido, nunca. Nós apenas acumulamos nas nossas vidas. Só há acúmulo. Nada é para sempre, nada é tão radical. Nada nos impede de voltar atrás em algumas situações, e recomeçar. Nada nos impede de ir aos achados e perdidos procurar aquilo que nos fazia tão feliz e que agora nos faz tanta falta. Não há tempo ou sentimento que no impeça de buscar novamente coisas novas, novamente coisas passadas. Não há impedimento e, portanto, não deve haver saudades ou arrependimento.

Enquanto houver opções, não haverá tristeza. Enquanto o achado continuar novo, não será perdido, e enquanto o perdido continuar guardado, não mais perdido será.

 

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Escrito por Mayra Maldjian às 14h55

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