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Sobre ter tudo e não ter nada

Talvez esse título te remeta a milhares de outros textos. Talvez não te remeta para nenhum outro endereço. Nenhum outro pensamento.

Talvez sejam só hormônios borbulhando no emocional. Minha estrutura física nunca condiz com a minha estrutura mental. Com 16 anos de idade você acha que tudo é tão difícil, quando é tudo muito fácil. Você complica o simples e acaba destruindo o complexo.

Seus problemas em voz alta não são nada mais que bobagens.

Você procura eternas fórmulas físicas pra voltar no tempo, em algum ponto calmo e sossegado da sua vida. Mas diabos, pra quando?

Quando as complicações foram grandes? Quando as barreiras foram muito altas? Você deveria agradecer por ter uma vida muito tranquila, mas talvez você nunca vai se conformar em ser conformado.

Eu tenho tudo e isso me incomoda. Não tenho o "nada" para me incomodar, vou buscar distante e, no final, nunca encontro nada.

Enfim, cheguei ao ponto de reflexão em frente ao espelho, no momento de sinceridade, pensei: "Para de ser idiota, moleque".

Não deu certo.

Por Marcos Candido

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Escrito por Mayra Maldjian às 14h46

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Proibir é o mesmo que libertar?

Desde 2006 aparecem trabalhos nas estações de metrô de Paris sob a autoria da anônima Princess Hijab.

O que ela faz é chocante: são interferências em propagandas fixadas nas paredes, pintando rostos de pessoas e quase sempre deixando apenas seus olhos à mostra.

Em entrevista dada ao "The Guardian", a artista disse que ambos elementos (a burca e as propagandas) casam visualmente por serem "dogmas que podem ser questionados", como forma de criticar a sociedade.

Em 2010, foi criada uma lei na França proibindo o uso de burcas ou niqabs em locais públicos. O governo francês se justificou alegando que a burca é uma forma de dominação do homem sobre a mulher.

Assim como há fanáticos religiosos que obrigam o uso do véu, há movimentos que são contra isso, como afirmou Tehmina Kazi em seu artigo "Vestir a burca é um direito", referindo-se a uma lei recente aprovada pela União Europeia, que pune quem obriga alguém a usar burcas.

Defendendo sua cultura, ela ainda diz que o hábito de cobrir a cabeça e o rosto data de antes do ano 200 (ou seja, antes da formação do Islã), ao citar o historiador Tertuliano. E no final do texto, conclui: "nova lei francesa não defende a liberdade das mulheres --na maioria dos casos, a partir de janeiro muitas delas nunca mais vão sair de casa".

Enquanto o artigo de Tehmina Kazi questiona diretamente a nova lei francesa, a arte de Princess Hijab é mais abrangente, pensando também na aceitação deficiente de imigrantes na França, juntamente com o consumismo crescente.

Mas pode-se tirar uma importante moral de ambos: a de que o direito de escolher deve ser inalienável.

 

Por Luciana Marques

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Escrito por Mayra Maldjian às 17h27

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Pensas em tudo

Pensas em como és dependente. Pensas em como não pensas. Pensas no que quiseres. Pensas em como és feliz olhando as estrelas e sentindo o vento. Pensas em como o sol te faz bem, e em como a chuva te faz bem. Pensas na noite e no dia, de noite e de dia. Pensas na vida. Pensas na sua beleza e na sua pureza.

Pensas em como és curta. Pensas que vale a pena ser feliz e que vale a pena se esforçar. Pensas que amas viver. Pensas enquanto ouves uma música e enquanto sentes o vento. Pensas e escreves, para que não pares de pensar.

Pensas em como és imaturo e saibas que nunca vais saber o suficiente. Nunca compreenderás as pessoas, nunca entenderás completamente a si mesmo. Pensas na essencialidade de uma amizade livre de interesses, livre de segredos, livre de recompensas, livre de chantagens e de arrependimentos. Pensas naqueles verdadeiros, pensas em como sobreviverias sem eles.

Procuras o sentimento puro de todo o homem, de toda a mulher. Buscas o amor livre de trocas, livre de modificações, livre de condições. Vás atrás da alegria livre de grandes coisas, livre de grandes feitos ou grandes quantias. Encontres o sorriso verdadeiro e a palavra verdadeira. Encontres a verdade. Respeites qualquer um, em qualquer ocasião, respeites quem desgosta e quem idealiza. Ame quem te decepcionou, ame quem te decepcionará. Ajudas quem precisa, ajudas quem julga que nunca precisou. Todos precisam.

Pensas em tudo. Pensas em como é fechar os olhos e sentir o calor humano. Pensas por fim então em como és dependente. Pensas em como precisa de alguém para partilhar tudo que pensas. Pensas enquanto é tempo, pensas enquanto pode, porque um dia deixarás de pensar, e tudo que restará serão pensamentos passados e ideologias. Pensas para sobreviver, para existir, para resistir. Pensas porque é fascinante até onde a imaginação pode nos levar, até onde o conhecimento pode alcançar.

E a partir de então, não haverá limite, não haverá escravidão, não haverá restrição. E quando finalmente achares que já pensastes em tudo e que já escrevestes tudo, perceberá que ainda nem começastes essa incrível tarefa. E o dinheiro acaba, e as pessoas se vão, e os lugares envelhecem, e o pensamento cansa, e as palavras se esgotam e deixam de dizer o que se pensava que nunca haveria de morrer.

Por Gabriela Quiles

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Escrito por Mayra Maldjian às 10h46

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