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O trote da linguiça - Parte 2

Eu gostaria de agradecer a todos que deixaram um comentário no meu último post. Porém, ao ler alguns deles eu vi que algumas coisas que escrevi não ficaram muito claras, e por meio deste novo post pretendo esclarecê-las.

Primeiramente, eu não critiquei trotes como ritual de entrada para uma universidade. Sou a favor da tradição da recepção dos calouros em universidades, pois é uma maneira de aproximar os estudantes. Eu sou contra a violência e a humilhação que às vezes acontecem nessas ocasiões, e que as quais acho desnecessárias. 

Eu não duvido que o que aconteceu realmente tenha sido apenas uma brincadeira e que a intenção não era diminuir ninguém. Mas vou frisar novamente: brincadeira ou não, o ocorrido não deixa de ter apelo sexual, de ser machista.

O fato de que os trotes sejam uma atividade opcional é um pouco questionável, mas no caso do curso da Agronomia da UnB, ao levar em conta os comentários e o depoimento do veterano que citei no outro texto, os calouros não parecem ser pressionados. Por isso, não estou “culpando” nenhum veterano de ter obrigado as alunas a chuparem linguiça.

E de fato ninguém “apontou uma arma na cabeça delas” e as obrigou a participar --elas fizeram aquilo porque quiseram, então tudo bem. Mas não sou obrigada a concordar e nem a aprovar a decisão delas.

Quando perguntei “É para isso que estou estudando (...)?” e “(...) a inserção social aqui valia mesmo a humilhação”, eu estava pensando no que uma brincadeira como essa pode repercutir dentro de uma universidade, de um grupo de pessoas. Aquilo ficou naquele momento mesmo, ou foi para além do trote? E mesmo se não foi, poderia ter ido?

Se brincadeiras como essas forem permitidas, e acontecerem em outros meios, se já não acontecem, quais seriam as consequências para as meninas que aceitaram participar acreditando que seria apenas uma brincadeira?

É por isso também que acho que essa história foi a mais polêmica dos trotes (realmente, não articulei bem que essa era a MINHA opinião). Claro que casos de mortes e lesões tiverem consequências mais profundas, mas essa me impressionou mais por conta do conformismo que estou enxergando, de pessoas não acharem nada demais, de chamarem quem é contra isso de “careta” e não entenderem o porquê disso poder ser considerado uma humilhação.

Por que razão a menina que se submete a humilhações desse calão nos trotes seria mais aceita dentro do grupo? Será que ela é mesmo melhor vista ou se depois da brincadeira a imagem dela é passada de ser humano para objeto? Pode não ser o caso com as alunas da UnB, mas e em outras universidades?

Espero ter sido mais clara agora. Obrigada, novamente, pelos comentários.

Por Luciana Marques

 

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Escrito por Mayra Maldjian às 22h00

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Trote da linguiça: é para isso que estou estudando?


Todo ano são noticiados trotes que passam dos limites. Porém, ironicamente, no ano em que pretendo estudar para ser aceita em uma universidade, ouvi a história que para mim é a mais polêmica de todas.

Nesse ano, veteranos que participaram do trote do curso de Agronomia da UnB fizeram as meninas chuparem uma linguiça coberta por uma camisinha e leite condensado, simulando sexo oral. E é claro que isso foi parar na internet.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República pediu explicações sobre o ocorrido, e a blogosfera e o Twitter ficaram cheios de postagens de reprovação. 

O aluno Caio Batista (que é também o presidente do Centro Acadêmico do Curso de Agronomia) teve seu depoimento publicado na página da internet da UnB, afirmando que ninguém foi obrigado a participar do trote, e que este não foi realizado com o intuito de diminuir ninguém.

Ele ainda diz que pela repercussão negativa na mídia, os alunos concordaram em "se readaptar para uma melhor convivência social" no que diz respeito às brincadeiras do trote, mesmo não concordando com as reprovações recebidas.

Achei o depoimento do Caio bem argumentado, mas não concordo com o ponto de vista que ele expôs. É fácil julgar os veteranos como pessoas horríveis e machistas, mas o fato de o trote ser uma atividade opcional não tira sua conotação sexual.

Além disso, fala-se muito de inserção social quando o assunto são os trotes universitários, pois é uma chance para os calouros conhecerem melhor quem já estuda lá e assim interagir. Mas eu, vestibulanda, me pergunto: a inserção social aqui valia mesmo a humilhação?

Afinal, é para isso que estou estudando? Para entrar em um meio em que um grupo de pessoas faz uma garota chupar uma linguiça, coloca um vídeo disso na internet, e acha isso normal?

Por Luciana Marques

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Escrito por Mayra Maldjian às 11h01

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